Você já ouviu falar em Floresta Ombrófila? Esta é a forma atual que chamamos o ecossistema que já foi conhecido como floresta pluvial. Aqui no Brasil, sua vegetação acontece principalmente na Floresta Amazônica e Mata Atlântica, desdobrando-se em outros biomas como, principalmente, a Floresta Ombrófila Mista, ou Floresta com Araucárias e Campos Naturais.

A principal característica das florestas ombrófilas é que ela consiste em um ecossistema no qual há forte presença de chuvas. Pois além deste fator, cada uma das variações dessa vegetação contém fitofisionomias diferentes, de acordo com as faixas altitudinais em que se encontram. Ah, e outra informação importante que todas elas têm em comum, é que tratam-se de vegetações perenifólias – ou seja: estão sempre verdes. 

Mas não se preocupe, vamos contar um pouquinho mais sobre cada uma das formas em que a floresta ombrófila acontece, quais são as espécies de animais e plantas que compõem este ecossistema tão importante para a fauna e flora brasileira. Vamos lá?

Floresta ombrófila mista

Também conhecida como Floresta com Araucárias, esta forma de floresta ombrófila faz parte da Mata Atlântica, ocorrendo principalmente nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Sua principal característica é o clima quente e úmido no verão, outono e primavera, porém com temperaturas muito baixas durante o inverno. A principal árvore que representa a floresta ombrófila mista (FOM) é a araucária, ou pinheiro-do-paraná.

E como esta variação é a principal na região de São Luiz do Purunã, vamos detalhar um pouco mais as formas de vegetação dela.

Floresta ombrófila mista aluvial

Como o próprio nome já indica, a FOM aluvial ocupa sempre terrenos aluviais. Nela, além das araucárias, também pode-se encontrar o pinheiro-bravo e a cataia, que são espécies características das altitudes. À medida que vai diminuindo a amplitude, a araucária associa-se a vários ecótipos de árvores angiospermas da família Lauraceae, com destaque para as orquídeas, assim como as plantas do gênero Criptocarya e Nectandra.

Floresta ombrófila mista submontana

Esta formação atualmente é encontrada sob a forma de pequenas disjunções localizadas em vários pontos do Rio Grande do Sul. É considerada uma “floresta secundária”, ficando cada vez mais raro encontrarem-se exemplares da Araucaria angustifolia, principal árvore desta variação.

Floresta ombrófila mista montana

Esta formação, encontrada atualmente em poucas reservas particulares e no Parque do Iguaçu, na região Sul, ocupava quase que inteiramente o planalto acima dos 500 m de altitude. Sua ocorrência ocupa grandes extensões de terrenos situados entre as cidades de Lages (SC) e Rio Negro (PR), lugares nos quais é possível observar a A. angustifolia ocupando e emergindo da submata de Ocotea pulchella e Ilex paraguariensis, acompanhada de Cryptocarya aschersoniana e Nectandra megapotamica. Já ao norte do estado de Santa Catarina e ao sul do Paraná, o pinheiro brasileiro está associado com a imbuia (Ocotea porosa), enquanto que no vale do rio Itajaí-Açu, a araucária é associada principalmente a Ocotea catharinense.

Floresta ombrófila mista alto montana

Esta variação acontece acima dos 1.000 m de altitude, sendo a sua maior ocorrência no Parque do Taimbezinho (RS) e no Parque de São Joaquim (SC), ocupando as encostas das colinas da região. A composição florística da disjunção de campos do Jordão, possivelmente semelhante à que antigamente existia nos estados do Paraná e Santa Catarina, apresenta a dominância de araucárias. 

Flora da Floresta Ombrófila Mista em São Luiz do Purunã

Conheça mais sobre as variações de árvores que fazem parte da nossa região e que se encontram distribuídas entre a Floresta Ombrófila Mista aqui em São Luiz do Purunã:

Xaxim-bugio

O xaxim pertence ao grupo das plantas pteridófitas, onde estão incluídas as samambaias, as avencas e os xaxins. São plantas vasculares desprovidas de flor, de sementes e de fruto. É uma das espécies vegetais mais antigas do planeta e leva até 100 anos para atingir a idade adulta.

Nativo da Mata Atlântica e da América Central, o xaxim está na lista do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais) entre as espécies ameaçadas de extinção. Em 2001, uma resolução do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente) proibiu o corte e a exploração da espécie.

Imbuia

Árvore imponente, de beleza esplêndida, presente e associada principalmente com a Floresta com Araucárias, a Imbuia (Ocotea porosa), pode atingir 25 metros de altura, ou mais na idade adulta, e viver até 500 anos. A dispersão dos frutos acontece principalmente através de animais como aves e mamíferos, que deixam a semente livre da casca carnosa, fazendo a sua disseminação. É uma espécie clímax e recomendada para reposição de mata ciliar, para locais sem inundação.

É considerada uma espécie nobre e já foi muito importante para o desenvolvimento econômico do país. Devido ao seu uso desenfreado atualmente se encontra na lista de espécies ameaçadas de extinção (Portaria MMA nº 443/2014).

Jerivá

Das muitas palmeiras brasileiras, uma pode ser considerada a preferida das crianças e dos bichos em toda a região da Mata Atlântica. A maioria dos adultos nem presta muita atenção aos cachos fartos, mas ainda existem por aí muitos pequenos consumidores dos seus coquinhos de polpa pegajosa, cor amarelo-ouro e sabor adocicado.

O nome mais comum é Jerivá , derivado do tupi jaribá ou yaribá, cujo significado é o fruto em cacho, que cai à toa, pois essa palmeira produz durante o ano inteiro, em cachos de 10 quilos, em média, ou algo em torno de 1.400 coquinhos, cada um com 2 a 3 centímetros.

Erva-mate

A erva-mate é um chá de ervas feito a partir das folhas e galhos da planta Ilex paraguariensis. As folhas são desidratadas no fogo e depois mergulhadas em água quente ou fria para fazer a infusão. A iguaria pode proporcionar diversos benefícios à saúde, como melhorar o desempenho atlético e o foco e ainda ajudar a perder peso e diminuir o risco de doença cardíaca.

A cultura de preparar o chimarrão é um legado deixado pelas culturas indígenas caingangue, guarani, aimará e quíchua. Sendo os índios guaranis os primeiros terem feito uso da erva-mate.

Aroeira

Árvore de mil e uma utilidades (do chá para gargarejos contra infecção de garganta à cura de feridas no colo do útero, sem falar de suas aplicações gastronômicas), a aroeira-vermelha é conhecida também como pimenta-rosa (aliás, conquistou chefs europeus por isso) e muitos outros nomes populares (aroeira-mansa, aroeira-do-brejo, aroeira-negra, fruto-da-raposa, fruto-de-sabiá, cambuí, bálsamo, e coração-de-bugre).

A aroeira é uma planta medicinal, também conhecida como aroeira vermelha, aroeira-da-praia, aroeira mansa ou corneíba, que pode ser utilizada como remédio caseiro para tratar doenças sexualmente transmissíveis e infecções urinárias em mulheres.

Bromélia

Quase todas as bromélias têm capacidade excepcional de armazenar água. A natureza construiu folhas compridas e recurvadas, perfeitas canaletas impermeabilizadas, que permitem o escoamento fácil da água por sua superfície, sempre inclinada em direção ao centro. As folhas também estão dispostas em camadas circulares, de forma a captar a água de chuva em todas as direções.

Caliandra

Muitas são as plantas conhecidas como caliandras ou esponjinhas. No caso desta espécie, especificamente, é considerada uma raridade. Isso porque além de ser uma árvore de porte pequeno, apresenta os seus “pompons” dispostos de forma diferente: eles aparecem ao longo do ramo, num desenho semelhante ao de um candelabro.

Ao todo, o gênero compreende mais de 150 espécies de arbustos ou arvoretas. Essa espécie (e as demais desta mesma família) desperta grande interesse paisagístico, não só pelo seu tamanho como pela beleza exótica de suas flores.

Ipê-amarelo

Essa espécie é considerada símbolo do Brasil por decreto federal. A grande diferença desta árvore em relação aos demais ipês-amarelos é que sua flor possui as pétalas mais longas de todas. Também chamada de ipê-tabaco, cavatã, ipê-cascudo, ipê-preto, ipê-uma, pau-d’arco, ipê-amarelo-da-casca-lisa, ipê-comum, piúva e quiarapaíba, ela costuma florescer a partir de julho, prolongando-se até meados de setembro, quando fica completamente sem folhas.

Fauna da Floresta Ombrófila em São Luiz do Purunã

Agora que você já pode compreender mais sobre a composição vegetal do espaço dessa região, nós vamos pontuar algumas espécies que vivem na Floresta Ombrófila Mista. São formas de vida muito importante para o ecossistema local e que, em alguns casos, estão ameaçadas de extinção, devido à falta de conservação das áreas. Olha só:

Curicaca

Seu nome popular é onomatopeico, semelhante ao som do seu canto, sonoro e potente, composto de gritos fortes: “Curicak! Curicak!”. Não existe uma espécie similar à curicaca e é uma ave bem difícil de se confundir, pois é grande, de cabeça e pescoço pardos, com coloração clara, asas largas, bico longo e curvo, apresentando uma máscara preta ao redor dos olhos, que são vermelhos.

A curicaca alimenta-se durante o dia e no pôr do sol e usa seu bico curvado, adaptado para extrair larvas da terra, na captura de gafanhotos, lagartixas, centopeias, ratos, caramujos, larvas, insetos, serpentes e pequenas rãs e lagartos.

Tucano-do-bico-verde

Símbolo da rica fauna brasileira, o tucano-de-bico-verde é uma ave que mede cerca de 50 centímetros e é encontrado em áreas serranas do sudeste e do sul brasileiro. Geralmente esses tucanos vivem em pares, mas não é raro que formem bandos com mais de 20 aves. 

Colocam de dois a quatro ovos por vez e o período de incubação é de 18 dias. Enquanto a fêmea choca o ovo o macho lhe traz alimento e, assim que os filhotes nascem, ambos se revezam na alimentação e na segurança do ninho.

Veado-catingueiro

O veado-catingueiro é uma espécie sem galhada. O macho adulto mede pouco mais de um metro e pode pesar vinte quilos. Ele tem pelos mais longos e macios, se comparado ao veado-mateiro. A coloração da pelagem pode variar (marrom ou acinzentado), e a mancha clara sobre os olhos é uma característica, que chega a desaparecer em alguns indivíduos.

O veado-catingueiro é um cervídeo com tendência a vida solitária, reunindo-se apenas para acasalar. A perda do habitat natural deles, na Floresta Ombrófila Mista, e a caça são as principais causas para o declínio populacional, que estaria levando o veado-catingueiro rumo à extinção.

Quati

Os quatis passam a maior parte do tempo de vida sobre as árvores da Floresta Ombrófila Mista. Para isso, formam grupos de 4 a 20 indivíduos, que se dividem na tarefa de procurar alimentos. Quando este animal não está aos pares (no período reprodutivo) ou fazendo parte de um grupo, costuma viver solitariamente. Quando há escassez de frutas, sua comida preferida, aumenta a quantidade de animais em sua dieta, que podem ir de aves e insetos, a vermes, larvas e minhocas.

Como são animais diurnos, os quatis normalmente escolhem o alto das árvores para descansar à noite. Aliás, dormem enrolados, como se fossem uma bola. Só desce ao amanhecer.

Suçuarana

A suçuarana, também conhecida como onça-parda, puma, onça-vermelha, leão-baio é a segunda maior espécie de felino do Brasil. A pelagem da suçuarana tem coloração variando entre marrom-acinzentado bem claro e marrom-avermelhado escuro. Geralmente os animais que vivem nas Florestas Ombrófilas Mistas são menores e mais escuros em relação aos que vivem em regiões montanhosas, que são maiores e mais claros.

Possuem hábitos noturnos (predominante) e diurnos, caçam a qualquer hora do dia com certa tendência ao final da tarde. A espécie é terrestre, mas possui muita habilidade para subir em árvores e é muito ágil. A suçuarana vive solitária, menos na época de acasalamento. Pesquisas comprovaram que a suçuarana é o predador mais eficiente e mais flexível entre os felinos. Ela consegue alimento em 75% das vezes que parte para o ataque.

Capivara

A capivara é o maior roedor herbívoro do mundo, um animal adulto pode pesar 70 kg. Ela tem cabeça grande, orelhas pequenas e não possui cauda. A capivara se alimenta de capins e ervas comuns em várzeas e alagados. A espécie possui hábitos semi-aquáticos e é excelente mergulhadora, tendo inclusive pés com pequenas membranas. Ela se reproduz na água e a usa como defesa, escondendo-se de seus predadores. Por isso, a capivara pode permanecer submersa por alguns minutos.

A capivara pasta a procura de alimento e utiliza a água como refúgio. Ela é tolerante à vida em ambientes alterados pelo homem. Com hábitos diurnos e noturnos, a capivara vive em grupos, normalmente com cerca de 20 indivíduos. 

Tamanduá-colete

O Tamanduá-colete, ao contrário de outras espécies, ainda é um mamífero preservado na fauna brasileira. Mas pesa contra a sua manutenção uma atividade cada vez mais frequente em seu habitat: a redução das florestas em função das queimadas, o que geralmente elimina a sua principal fonte de alimento: formigas, cupins e larvas.

Aliás, para se alimentar, normalmente ele utiliza uma técnica bastante simples: vale-se de suas fortes garras (quatro ao todo) para fazer buracos no cupinzeiro e, com a língua pegajosa, capturar os insetos, guiado sobretudo por um olfato apuradíssimo, que compensa as fracas visão e audição.

Este animal é também frequentemente ameaçado por outras ações do homem, direta ou indiretamente, como os atropelamentos em rodovias próximas ao seu ambiente natural, e ao frequente ataque de cães domésticos.

Jaguatirica

Felino de médio porte, os machos são maiores que as fêmeas, podendo medir 1 metro, mais a cauda com até 40 cm, pesando entre 8 a 15 kg. A jaguatirica tem coloração variável, de cinza-amarelado bem pálido ou amarelo-claro a um castanho-ocráceo.

As manchas negras tendem a formar rosetas abertas, desenhando traços longitudinais. São animais solitários, de hábitos noturnos, e excelentes nadadores e escaladores de árvores.

Curiosidade

As araucárias são espécies que correm o risco de extinção, devido ao grande desmatamento. No entanto, para controlar essa situação e propor uma alternativa de cultivo, um estudo realizado pela EMBRAPA permite que a produção do pinhão aconteça em até quatro anos e, após plantadas, as araucárias se desenvolvam mais rapidamente que o pinus.

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